quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais acontecerá na Arquidiocese de Uberaba, na cidade de Romaria.


XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais acontecerá na Arquidiocese de Uberaba, na cidade de Romaria.

Primeira reunião de preparação da XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais, na Cúria da Arquidiocese de Uberaba, dia 11/02/2019. Foto: Fabiano L. dos Santos

Com alegria, anunciamos que a XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais acontecerá na Arquidiocese de Uberaba, no Triângulo Mineiro, na cidade de Romaria, dia 10 de novembro de 2019, será promovida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), Arquidiocese de Uberaba, Santuário de Nossa Senhora D’Abadia da Água Suja (na cidade de Romaria), Cáritas Regional MG e Cáritas Diocesana e terá a participação, tanto na preparação quanto na realização, das Pastorais Sociais, Comunidades Eclesiais de Base, movimentos sociais, enfim, todas as forças vivas que se comprometem com a luta em prol da superação de todas as injustiças socioambientais que violentam a dignidade humana e a dignidade da mãe terra, da irmã água e de todos os biomas, animais e seres vivos.
Após várias conversas, dia 11 de fevereiro de 2019, na Cúria da Arquidiocese de Uberaba, em reunião presidida por Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo da arquidiocese de Uberaba, foi confirmada a realização da XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais, na Arquidiocese de Uberaba. De forma processual, a XXII Romaria terá a Celebração Final dia 10 de novembro de 2019, um domingo, no Santuário de Nossa Senhora D’Abadia da Água Suja, na cidade de Romaria.
A coordenação da Comissão Pastoral da Terra, em Minas Gerais (CPT/MG), e todos/as agentes de pastoral da CPT/MG agradecem, de coração, ao arcebispo Dom Paulo Mendes Peixoto, ao coordenador arquidiocesano de Pastoral, Monsenhor Célio Pereira Lima, ao padre Ronan Belo Júnior, animador das Comunidades Eclesiais de Base da arquidiocese de Uberaba, ao padre Márcio Antônio Rezende Ruback, pároco do Santuário Nossa Senhora da Abadia, na cidade de Romaria, irmã Sônia (Carmelita Missionária de Santa Terezinha), leigos e leigas e várias pastorais sociais presentes na primeira reunião de preparação da XXII Romaria.
Após 21 anos de Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais em outras dioceses do estado, pela primeira vez a Romaria acontecerá na Arquidiocese de Uberaba. Entretanto, é bom recordar que no Triângulo Mineiro já aconteceram 35 Romarias da Terra.  A XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas compreenderá um processo que envolverá reuniões de preparação, produção de subsídios, missões, seminários, pré-romarias e terá como ponto culminante a Celebração Final no Santuário de Nossa Senhora D’Abadia da Água Suja, na cidade de Romaria, dia 10 de novembro próximo.
É bom recordar que a Comissão Pastoral da Terra, em Minas Gerais, iniciou no Triângulo Mineiro – que está sobre parte do Aquífero Guarani -, em 1978, três anos após ser criada na Amazônia entre os camponeses posseiros que estavam sendo expulsos e expropriados pelo avanço da fronteira agrícola. Na primeira reunião da Comissão de Preparação da XXII Romaria foi lembrado que a cidade de Romaria tem como padroeira Nossa Senhora D’Abadia da Água Suja, enquanto nós estamos no estado de Minas Gerais enlameado pela lama tóxica do crime da mineradora Vale e do Estado, que além de matar centenas de pessoas, matou o Rio Paraopeba e está contaminando ainda mais o Rio São Francisco que já está na UTI. Devemos apresentar Nossa Senhora D’Abadia da Água Suja como Padroeira dos Atingidos e Atingidas por Barragens e por mineração.
Lembramos que “Uberaba”, palavra de origem tupi, significa “água cristalina”. Que essa XXII Romaria nos inspire e nos motive no compromisso de tornar límpidas nossas águas, de libertar a mãe terra, para que sejam acessíveis a todas e todos, geradoras de “vida e vida em abundância” (Jo 10,10).
Sob as bênçãos de Nossa Senhora D’Abadia da Água Suja e de São Francisco de Assis, padroeiro da Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais, convidamos todas as pessoas de boa vontade e as forças vivas a se somarem conosco na organização e realização da XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais que acontecerá em processo de mutirão e reunindo todos/as que são filhos e filhas da mãe terra e da irmã água. A terra é mãe, é sagrada. “O Espírito de Deus está nas águas” (Gênesis 1,2). A água é sagrada e fonte de vida. A terra é o corpo que tem como sangue a água. Não é possível salvar as águas sem partilha, socialização e democratização da mãe terra.
Bem-vindos/as à XXII Romaria das Águas e da Terra do Estado de Minas Gerais.

Belo Horizonte, MG, 13 de fevereiro de 2019.

Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG)

Foto: Divulgação / www.arquidiocesedeuberaba.org.br 

Fotos: N. A. S. Oliveira


Obs.: Cf. também Notícia sobre XXII Romaria das Águas e da Terra no site da Arquidiocese de Uberaba:


Crime da Vale e do Estado, a partir de Brumadinho/MG: Rejane e Emília. V...




Crime da Vale e do Estado, a partir de Brumadinho/MG: Rejane e Emília. Vídeo 5 - 1º/2/2019

Dia 1º/02/2019, frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), e membros da Equipe técnica do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos visitaram o Sr. Ricardo Moraes, a Dona Rejane e o filho Ricardo, ocasião em que foi gravado esse vídeorreportagem, vídeo com dona Rejane e com Maria Emília, coordenadora do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos ameaçados de morte.
Dona Rejane Moraes, 73 anos, e seu esposo Ricardo Moraes, também com 73 anos, com a saúde afetada por causa das violências das mineradoras MIB (Mineração Ibirité Ltda.) e Vale, com o filho Ricardo Filho, vivem há 30 anos em um sítio de três hectares no distrito de Córrego do Feijão, em Brumadinho, MG. A casa deles está a poucos quilômetros de onde ocorreu o crime tragédia da Vale e do Estado, dia 25/01/2019, às 12h30, matando centenas de pessoas e matando de vez o Rio Paraopeba. A mineradora MIB (Mineração Ibirité Ltda.) está minerando até ao lado do portão de entrada para a casa do Sr. Ricardo e dona Rejane. Em três hectares, Ricardo e Rejane já plantaram 500 pés de jabuticaba, 60 pés de manga de todas as qualidades, araucária, ipês de várias cores, pau-brasil, mogno, lima do Peru ... . Uma infinidade de árvores frutíferas e da mata Atlântica, mas todo o sítio, a casa deles e a saúde do Sr. Ricardo e da dona Rejane estão sendo agredidos diariamente pela poeira da mineração, barulho ensurdecedor, detonações com dinamites, água poluída ... . Há 15 anos, o Sr. Ricardo e a dona Rejane lutam pelos seus direitos, inclusive judicialmente. Estão sendo ameaçados de morte. Por isso, o Sr. Ricardo e a dona Rejane estão no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.

Foto: Divulgação / www.sinditest.org.br

*Reportagem em vídeo de frei Gilvander, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, colaboradora da CPT-MG. Ibirité/MG, 1º /02/2019.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

“Quem se omite diante de um projeto de morte torna-se cúmplice" (Frei Gilvander, da CPT), no Distrito de Córrego do Feijão, município de Brumadinho/MG - 1º/2/2019.


“Quem se omite diante de um projeto de morte torna-se cúmplice" (Frei Gilvander, da CPT), no Distrito de Córrego do Feijão, município de Brumadinho/MG - 1º/2/2019.


Dia 1º/02/2019, frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), e membros da Equipe técnica do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos visitaram o Distrito de Córrego do Feijão, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, MG, no local onde aconteceu o crime tragédia da mineradora Vale e do Estado, a partir das 12h28 do dia 25\01\2019, ocasião em que foi gravado esse vídeorreportagem.

Frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT\MG), no Córrego do Feijão, em Brumadinho, MG, no local do crime tragédia - genocídio - da mineradora Vale e do Estado. Foto: J. P. Santos.

*Reportagem em vídeo de frei Gilvander, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, colaboradora da CPT-MG. Ibirité/MG, 1º /02/2019.
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Córrego do Feijão: "Quem se omite diante de um crime torna-se cúmplice."...





“Quem se omite diante de um projeto de morte torna-se cúmplice" (Frei Gilvander, da CPT), no Distrito de Córrego do Feijão, município de Brumadinho/MG - 1º/2/2019.

Dia 1º/02/2019, frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), e membros da Equipe técnica do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos visitaram o Distrito de Córrego do Feijão, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, MG, no local onde aconteceu o crime tragédia da mineradora Vale e do Estado, a partir das 12h28 do dia 25\01\2019, ocasião em que foi gravado esse vídeorreportagem.

*Reportagem em vídeo de frei Gilvander, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, colaboradora da CPT-MG. Ibirité/MG, 1º /02/2019.
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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Honremos os mortos pelo crime da Vale e do Estado


Honremos os mortos pelo crime da Vale e do Estado
Por Gilvander Moreira[1]

Advogada Maria Emília, coordenadora do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos ameaçados de morte, em visita ao cenário/cemitério do crime da Vale e do Estado, a partir de Brumadinho, MG, dia 25/01/2019. Foto: Frei Gilvander

Representando 5,17% da bacia do Rio São Francisco, com 510 quilômetros de extensão e bacia envolvendo 1.318.885 milhões de habitantes[2] em 13.643 Km2, o Rio Paraopeba nasce em Cristiano Otoni, próximo a Conselheiro Lafaiete, e, como um dos principais afluentes do Rio São Francisco, irriga 48 municípios[3] e deságua na barragem da hidrelétrica de Três Marias, MG, no município de Felixlândia. Lamentavelmente, o crime continuado, anunciado, e a tragédia da Vale e do Estado – genocídio gigante – que iniciou às 12h28 do dia 25 de janeiro de 2019, melhor dizendo, iniciou na tarde do dia 05 de novembro de 2015, no município de Mariana, MG, e durará por muitas gerações - é muito maior do que percebemos. Com o passar dos dias, rastros de morte vão sendo percebidos e se avolumando. O massacre de pessoas humanas – entre elas, trabalhadores e trabalhadoras – pode ultrapassar quatro centenas. Muitos dos golpeados dizem que há muitas pessoas fora da lista de mortos e desaparecidos. Erídio Dias, morador da Ocupação Dandara, em Belo Horizonte, há cinco meses trabalhava na mina de Córrego do Feijão, como trabalhador terceirizado da Vale. Ele era soldador e está entre os desaparecidos. A mãe dele, com 74 anos e adoentada, vive em Sem Peixe, no interior de Minas. Com uma espada de dor transpassando o coração, ela telefona todos os dias para os filhos em Belo Horizonte, perguntando: “Que dia a Vale e o Estado entregarão o corpo do meu filho para ser sepultado aqui em Sem Peixe?”. Uma criança de três anos, que ficou órfã de mãe, pergunta toda hora: “Cadê mamãe? Por que ela está demorando a chegar? Ela deve estar com fome”. Com fome de justiça estamos todos nós.
Uma professora aposentada da UFMG, com a voz embargada disse: “Moro na beiro do Rio Paraopeba, em Brumadinho. Uma das maravilhas que eu assistia todas as manhãs eram as garças, em centenas, fazerem revoada ao amanhecer do dia e pescar o seu alimento no rio Paraopeba. A última vez que vi as garças foi na manhã do dia 25 de janeiro de 2019, dia do crime. Com o assassinato do rio, as garças não voltaram mais. Sem o rio saudável os pássaros estão morrendo também”.
No Acampamento Pátria Livre, com 600 famílias Sem Terra do MST, em São Joaquim de Bicas, às margens do Rio Paraopeba, a jusante de Brumadinho, Manoel desabafa, com lágrimas escorrendo dos olhos: “O Rio Paraopeba era nosso pai. Mataram nosso pai. Todos os dias, uma infinidade de pássaros fazia revoada aqui no rio, em voos rasantes se banhavam no rio. Os pássaros sumiram e os urubus chegaram”. A agente de saúde Suely, Sem Terra do MST em São Joaquim de Bicas: “Além de prestar os primeiros socorros e receitar medicina caseira e das plantas para as 600 famílias aqui do Acampamento Pátria Livre, eu proponho às pessoas depressivas a ir banhar no Rio Paraopeba e meditar às suas margens. Nosso rio já curou muitas pessoas. E agora com o rio morto?
Em regime de agricultura familiar, milhares de pequenos/as produtores/as, que vivem e plantam hortaliças e legumes na mãe terra banhada pelo Rio Paraopeba, estão aflitos, pois as hortas, antes irrigadas com água do Rio Paraopeba, estão morrendo. Tentar irrigar com caminhões pipas será paliativo.  Buscar água onde? Além de palco de intenso processo de mineração, os municípios de Brumadinho, Mário Campos, Sarzedo, Ibirité e região eram regiões produtoras de alimentos para abastecer Belo Horizonte e região metropolitana.
Dezenas de comunidades quilombolas ao longo da bacia do Rio Paraopeba foram golpeadas. Há quilombolas entre os desaparecidos. O pescador Clarindo Pereira, do Movimento Nacional de Pescadores e Pescadoras Artesanais, diz: “Vivendo e pescando no Rio São Francisco, sempre pedimos que chova para irrigar o nosso Pai, mas de agora em diante, toda vez que chover na região metropolitana de Belo Horizonte, ficaremos mais preocupados, porque as enchentes empurrarão mais e mais lama tóxica para o Rio São Francisco que já está na UTI”. Os peixes, água boa e toda a fauna ainda existente nos córregos e rios afluentes do Rio Paraopeba, tais como os rios Águas Claras, Macaúbas, Betim, Camapuã, Manso e o Ribeirão Serra Azul, ao fluírem naturalmente, serão jogados na lama tóxica que invadiu o rio Paraopeba. “Dói muito saber que os peixes desses rios vão cair no Rio Paraopeba para morrer também”, comenta Domingos, Sem Terra em São Joaquim de Bicas. Dona Rejane Moraes, que vive há 30 anos em um sítio de três hectares no Córrego do Feijão, em Brumadinho, alerta: “Já passou da hora de parar a mineração em Minas Gerais e no Brasil. Estamos esperando matar mais centenas e milhares de pessoas, acabar com nossa água e com o meio ambiente? Ninguém vive sem água. É hora de parar tudo e fazer uma avaliação séria”.
As águas da bacia do Rio Paraopeba garantiam 50% do abastecimento de Belo Horizonte e região metropolitana, por meio das barragens nos rios Betim e Manso, e no ribeirão Serra Azul, três afluentes do Rio Paraopeba que formam os três reservatórios que compõem o Sistema Paraopeba: Sistema Vargem das Flores, Sistema Rio Manso e Sistema Serra Azul, respectivamente. E agora, onde arrumar água para garantir o abastecimento de cinco milhões de pessoas de Belo Horizonte e região metropolitana? A COPASA[4] investiu 130 milhões de reais para captar água do Rio Paraopeba em uma grande obra inaugurada em dezembro de 2015, prometendo que a obra garantiria o abastecimento de BH e região metropolitana pelos próximos 25 anos. Tudo isso perdido. E agora como garantir o abastecimento de cinco milhões de pessoas de Belo Horizonte e região metropolitana?
Da perspectiva bíblica e teológica, é preciso recordar que toda a criação – os seres humanos, a fauna, a flora e os biomas - é sagrada. “Água, fonte de vida” foi o lema da Campanha da Fraternidade de 2004. “O Espírito de Deus está nas águas”, diz o segundo versículo da Bíblia (Gênesis 1,2). O Espírito vivificador não apenas paira sobre as águas, mas permeia e perpassa as águas. Logo, matar as nascentes, os córregos e os rios é cometer um pecado contra o Espírito Santo, pecado capital que não tem perdão. Integrantes do sistema capitalista, os megaprojetos de mineração são projetos satânicos e diabólicos, que, como o dragão do Apocalipse (Ap 12) cospe fogo e devora tudo o que encontra pela frente. Antes de serem cooptadas pelo Império Romano e pelo imperador Constantino, as Primeiras Comunidades Cristãs se regiam por um Código de Ética que alertava às pessoas cristãs que trabalhar em instituições que reproduzissem o sistema de morte do império romano era algo imoral. Um cristão não podia, por exemplo, ser soldado e nem militar do império romano, pois estaria, na prática, reproduzindo um sistema idólatra. Diante da exaustão e de tanta mortandade que a mineração devastadora vem perpetrando em Minas Gerais, no Pará e em outros estados se torna imperativo ético conquistarmos outras formas de trabalho que interrompa a máquina mortífera das mineradoras que está fazendo guerra contra o povo, contra a mãe natureza, contra todos os animais e toda espécie de ser vivo. Muitos ainda podem se tornar vítimas desta mesma máquina aniquiladora.  
São inaceitáveis somente medidas paliativas e emergenciais, sem medidas radicais – que vão à raiz - que mexam na engrenagem da guerra que as grandes mineradoras, com a cumplicidade do Estado, estão promovendo contra todos e tudo. Justo e necessário é: a) a prisão preventiva imediata do Presidente da VALE, dos Diretores da VALE, das autoridades dos Governos que autorizaram o funcionamento e dos responsáveis pela licença da mina do Córrego do Feijão; b) o confisco dos bens da Vale para aplicar nas áreas sociais e em urgente projeto de reflorestamento; c) suspensão de todas as licenças ambientais por tempo indeterminado da mineração em Minas Gerais e em todo o país até que se faça uma avaliação independente e imparcial que viabilize reabrir apenas as minas que têm garantias idôneas de que não haverá rompimento de barragens de rejeitos de minério.
Após muitos rompimentos de barragens de rejeitos tóxicos da mineração a consciência adormecida de muitos precisa romper também. Não pode continuar “tudo isso acontecendo e eu aqui na praça dando milhos aos pombos”, alerta o grande Zé Geraldo, na música Milho aos Pombos. Quem continuar se omitindo ou defendendo apenas soluções que não afetem a engrenagem de morte dos grandes projetos de mineração entrará para a história como cúmplice da desertificação e da dizimação das condições objetivas de vida em Minas Gerais e no Brasil. Quem tem ouvidos para ouvir ouça! E se ajunte às forças vivas dos movimentos sociais populares que estão na luta por justiça social, justiça agrária, justiça urbana e justiça socioambiental.

Belo Horizonte, MG, 11 de fevereiro de 2019.

Obs.: Os vídeos, abaixo, ilustram o texto, acima.

1 - Crime da Vale e do Estado, a partir de Brumadinho/MG: Rejane e Emília. Vídeo 5 - 1º/2/2019.


2 - Córrego do Feijão: "Quem se omite diante de um crime torna-se cúmplice." (Frei Gilvander) - 1º/2/19


3 - "Precisamos gritar contra as Mineradoras!"(Rejane Moraes/Córrego do Feijão) - Vídeo 4 - 1º/2/2019.


4 - Mineração em MG: "Já passou da hora de parar!" (Rejane Moraes) Vídeo 3 - 1º /02/2019


5 - Mineração: Violência contra a vida/Rejane Moraes/Brumadinho/MG - Vídeo 2 -1º/02/2019


6 - Mineração: Um crime contra a vida/ Sr. Ricardo Moraes/Brumadinho/MG/Vídeo 1. 1º/2/2019



[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Ciências Bíblicas; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH, em Belo Horizonte, MG. E-mail: gilvanderlm@gmail.comwww.gilvander.org.br - www.freigilvander.blogspot.com.br             www.twitter.com/gilvanderluis             Facebook: Gilvander Moreira III
[2] Fonte: IBGE/CENSO 2010.
[3] Belo Vale; Betim; Bonfim; Brumadinho; Cachoeira da Prata; Caetanópolis; Casa Grande; Congonhas; Conselheiro Lafaiete; Contagem; Cristiano Otoni; Crucilândia; Curvelo; Desterro de Entre Rios; Entre Rios de Minas; Esmeraldas; Felixlândia; Florestal; Fortuna de Minas; Ibirité; Igarapé; Inhaúma; Itatiaiuçu; Itaúna; Itaverava; Jeceaba; Juatuba; Lagoa Dourada; Maravilhas; Mario Campos; Mateus Leme; Moeda; Ouro Branco; Ouro Preto; Papagaios; Pará de Minas; Paraopeba; Pequi; Piedade dos Gerais; Pompéu; Queluzito; Resende Costa; Rio Manso; São Brás do Suaçuí; São Joaquim de Bicas; São José da Varginha; Sarzedo; Sete Lagoas.
[4] Companhia de Saneamento de Minas Gerais.

"Precisamos gritar contra as Mineradoras!"(Rejane Moraes/Córrego do Feij...



MINERAÇÃO: DESTRUIÇÃO DA VIDA! "Precisamos gritar contra as Mineradoras!" (Rejane Moraes, do Córrego do Feijão, em Brumadinho, MG) - Vídeo 4 - 1º/2/2019.

Rejane Moraes, 73 anos, e seu esposo Ricardo Moraes, também com 73 anos, com a saúde afetada por causa das violências das mineradoras MIB (Mineração Ibirité Ltda.) e Vale, com o filho Ricardo Filho, vivem há 30 anos em um sítio de três hectares no distrito de Córrego do Feijão, em Brumadinho, MG. A casa deles está a poucos quilômetros de onde ocorreu o crime tragédia da Vale e do Estado, dia 25/01/2019, às 12h30, matando centenas de pessoas e matando de vez o Rio Paraopeba. A mineradora MIB (Mineração Ibirité Ltda.) está minerando até ao lado do portão de entrada para a casa do Sr. Ricardo e dona Rejane. Em três hectares, Ricardo e Rejane já plantaram 500 pés de jabuticaba, 60 pés de manga de todas as qualidades, araucária, ipês de várias cores, pau-brasil, mogno, lima do Peru ... . Uma infinidade de árvores frutíferas e da mata Atlântica, mas todo o sítio, a casa deles e a saúde do Sr. Ricardo e da dona Rejane estão sendo agredidos diariamente pela poeira da mineração, barulho ensurdecedor, detonações com dinamites, água poluída ... . Há 15 anos, o Sr. Ricardo e a dona Rejane lutam pelos seus direitos, inclusive judicialmente. Estão sendo ameaçados de morte. Por isso, o Sr. Ricardo e a dona Rejane estão no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Dia 1º/02/2019, frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), e membros da Equipe técnica do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos visitaram o Sr. Ricardo Moraes, a Dona Rejane e o filho Ricardo, ocasião em que foi gravado esse vídeorreportagem, vídeo n. 4.

Rejane Moraes, 73 anos, ameaçada de morte, vive há 30 anos
no Distrito de Córrego do Feijão e há 15 anos denuncia as
 violências que as mineradoras MIB e Vale cometem em Brumadinho,
 MG, minerando até na porta da casa dela e do sr. Ricardo Moraes.
Foto: frei Gilvander

*Reportagem em vídeo de frei Gilvander, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, colaboradora da CPT-MG. Ibirité/MG, 1º /02/2019.
* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.


sábado, 9 de fevereiro de 2019

Ocupação Prof. Fábio Alves, 720 famílias/BH: Palavra Ética/TVC BH c/ fre...



Ocupação Prof. Fábio Alves, 720 famílias na luta por moradia, em Belo Horizonte, BH: Palavra Ética/TVC BH c/ frei Gilvander. 08/12/18

Visão parcial da Ocupação Professor Fábio Alves, no Barreiro,
em Belo Horizonte, MG.
Foto: frei Gilvander

*Reportagem em vídeo de frei Gilvander, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, colaboradora da CPT-MG. Ibirité/MG, 1º /02/2019.
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