FRATERNIDADE E MORADIA, TEMA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2026, COM O LEMA “ELE VEIO MORAR ENTRE NÓS” (Jo 1,14)
CÍRCULO BÍBLICO elaborado por
frei Gilvander
Moreira[1]
1 – Acolher todos/as e todes. Canto inicial e oração inicial.
2 – FATO DA VIDA
No Brasil continua existindo e se reproduzindo uma brutal Injustiça
Habitacional. Segundo a Fundação João Pinheiro (2023), o déficit habitacional brasileiro
ultrapassa 5,8 milhões de moradias, concentrando-se nas regiões metropolitanas.
O número de sem-moradia “cresceu
4,2% em comparação com 2019” (CF 2026, nº 30). Acima de 30% da população sobrevive em favelas e assentamentos precários.
Cerca de 11 milhões de pessoas sobrevivem em favelas (IBGE, 2022), com
infraestrutura inadequada. Há também desigualdade regional: as regiões Norte e
Nordeste concentram 60% do déficit habitacional, apesar de terem apenas 42% da
população. Em muitas capitais, famílias de baixa renda gastam mais de 50% do
orçamento com aluguel. A população em situação de rua está crescendo muito.
Estima-se que cerca
de 330 mil pessoas esteja em situação de rua, em “2024, um aumento de 25% em
relação a dezembro de 2023” (CF 2026, nº 43).
“Entre 2010 e 2022, o número de favelas dobrou e o número de habitantes [nelas] cresceu em 40%” (texto-base da CF 2026, nº 55). De 30 a 40% da população carrega o peso da cruz do aluguel ou da humilhação que é sobreviver de favor em casa de parente. Muita gente clama: “O aluguel come no nosso prato todos os dias. Muitas vezes temos que tirar alimento da boca dos nossos filhos para pagar aluguel.” “Sobreviver de favor em casa de parente é humilhação o tempo todo. Não temos liberdade pra nada. As crianças não podem brincar, pois incomodam quem é dono da casa. Não podemos convidar uma pessoa amiga para nos visitar. Vivemos amontoados.” “Uma pessoa/família sem moradia é como um pássaro que voa, voa, se cansa e não tem um ninho para se assentar.
3 – O que a Bíblia nos diz sobre
o direito à moradia
O Lema bíblico "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós"
(João 1,14) nos mostra que o Deus da vida, solidário e libertador, por amor
assumiu nosso corpo como sua moradia. Largou o céu (Ap 21,1-5) e veio morar
conosco. Logo, toda pessoa é sagrada, é “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,27),
é “templo do Espírito Santo” (1Cor 6,19).
E a dignidade humana é o princípio basilar da nossa Constituição Federal
de 1988 que deve ser respeitado. A falta de moradia ou a precariedade da
moradia avilta, viola e pisoteia a dignidade humana.
Na Bíblia, há inúmeras passagens proféticas que nos mostram que nós
discípulos/as de Jesus Cristo, que nasceu sem-teto e ao final de sua missão nos
alerta “eu era estrangeiro e vocês me receberam eu sua casa” (Mt 25,35), temos
que lutar para que ninguém fique sem moradia digna e adequada, conforme nos
exortou o papa Francisco: “Nenhuma pessoa sem moradia...”
"Não oprimirás o estrangeiro... porque fostes estrangeiros na terra
do Egito" (Êx 23,9). “Ai daqueles que
juntam casa com casa e emendam campo a campo, até que não sobre mais espaço e
sejam os únicos a habitarem no meio de país...” (Is 5,8). Ou seja, a brutal
cruz que é imposta sobre mais de 30% da população brasileira não é por acaso e
não por irresponsabilidade pessoal ou preguiça do povo, mas trata, sim, de um
projeto capitalista de acumulação de riqueza e poder nas mãos de uma minoria.
Milhões são forçados a sobreviverem sem moradia digna e adequada para que uma
minoria lucre muito com aluguel e com a especulação imobiliária.
Solidariedade libertadora não pode se limitar a doação de roupas,
alimentos ou pequenas ajudas, é preciso incluir necessariamente compromisso com
a luta para que as pessoas sem moradia conquistem moradia digna e adequada. A
conquista da moradia é base que sustentará a luta para se conquistar outros
direitos.
A Bíblia apresenta a moradia não apenas como abrigo físico, mas numa visão integral como espaço de dignidade, segurança e desenvolvimento familiar. Isto é, para que a moradia seja digna e adequada é preciso estar em ambiental saudável, com acesso a saneamento, transporte público de qualidade, educação e saúde pública, cultura, lazer.
4 – MOMENTO DE REFLEXÃO
Não podemos normalizar a financeirização da moradia, que é um bem
essencial à vida, um direito humano fundamental, inscrito no art. 6º da
Constituição Federal, desde o ano de 2.000.
1)
Qual minha/nossa história sobre
moradia? Nasci sem-casa? Vivo de aluguel? Ou em que tipo de casa vivo? E nossa
responsabilidade ética sobre Moradia adequada para todos/as? Como é a situação
de moradia do povo da minha comunidade, bairro e cidade?
2)
O que devemos fazer e como para
que a Campanha da Fraternidade de 2026 sobre Moradia fortaleça a luta dos
sem-teto por moradia adequada? Você conhece e participa de algum dos Movimentos
Sociais que lutam por moradia (Por exemplo, Movimento de Luta nos Bairros,
Vilas e Favelas (MLB), Movimento dos Sem Teto (MTST) ou outro movimento)?
5 – MÃOS À OBRA
1) Que compromisso vamos assumir a partir deste Círculo Bíblico?
6 – Oração final e agradecimento
a todos/as pela participação.
[1] Frei e padre da
Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel
em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese
Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; assessor da CPT,
CEBI e Ocupações Urbanas; autor de livros e artigos. E-mail: gilvanderlm@gmail.com – www.gilvander.org.br – www.freigilvander.blogspot.com.br
– Canal no You Tube: https://www.youtube.com/@freigilvander
– No Instagram: @gilvanderluismoreira – Facebook:
Gilvander Moreira III – No https://www.tiktok.com/@frei.gilvander.moreira

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