terça-feira, 17 de setembro de 2019

É preciso resistir para existir: 1ª Carta de João.


É preciso resistir para existir: 1ª Carta de João.
Por Gilvander Moreira[1]

Foto: Divulgação / https://vertigemexistencial.wordpress.com/2012/10/17/guarani-kaiowa-resistencia-indigena/

Estamos em setembro, mês da Bíblia. Em 2019, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e as Pastorais Sociais - Igreja que faz Opção pelos Pobres - nos convidam para refletirmos a partir da 1ª Carta de João, no Segundo Testamento Bíblico. Vamos focalizar aqui alguns dos muitos raios de luz da 1ª Carta de João. Por exemplo, a 1ª Carta de João afirma de forma altaneira: “Quem ama o irmão e a irmã não morre” (1 Jo 3,14-15), passa pela morte, mas ressuscita e vive para sempre. Ao contrário, quem não ama o próximo e não pratica a justiça já está morto. Aqui percebemos que era presente nas Comunidades do Discípulo Amado a fina flor da teologia política refletida no livro da Sabedoria, o último livro do Primeiro Testamento bíblico a ser escrito, por volta dos anos 50 a 30 antes da era cristã. O sábio autor do Livro da Sabedoria enfatiza um tipo de fé revolucionária que carrega a seguinte convicção: os justos viverão para sempre e os injustos serão aniquilados. “As pessoas injustas se tornarão para sempre cadáveres desonrados e objetos de zombaria entre os mortos [...] e a memória delas desaparecerá” (Sb 4,19). Ao contrário, as pessoas justas, mesmo que tenham vida curta, “quando morrem, condenam os injustos que continuam a viver” (Sb 4,16). Assim acontece com todos/as os/as oprimidos/as e injustiçados/as da história: fazem história e permanecem na história os que são justos e militam na defesa da justiça, no sentido da construção do bem comum para todos/as sem nenhuma discriminação ou privilégio. “Os justos vivem para sempre” (Sb 5,15), assevera o sábio autor da Sabedoria, ao fazer teologia política.
Amar implica doar a vida pelos outros” (1 Jo 3,16), enfatiza a 1ª Carta de João. “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão...”, cantam as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), inspiradas nesta Carta de João. Quem é egocêntrico, não se faz solidário a quem está passando necessidade e não luta por justiça profunda não está amando a Deus. Impossível amar a Deus se não se ama o próximo. Dizer que ama, mas só com palavras e com a língua, é conversa fiada. “Ame com obras e de verdade” (1 Jo 3,18), recomenda o autor da 1ª Carta de João.
Segundo a 1ª Carta de João para praticar o amor é preciso saber discernir entre o justo e o injusto (1 Jo 4,1-6). A parte de 1 Jo 2,29-4,6 termina exortando as Comunidades do Discípulo Amado a saber discernir e não cair nas armadilhas dos opressores e nem nas ciladas dos falsos profetas. Um critério básico é sugerido pelo autor da 1ª Carta de João: fala de Deus verdadeiramente quem aceita Jesus Cristo encarnado (1 Jo 4,2) e histórico. Não é mensageiro autêntico de Jesus Cristo quem nega e não aceita o Jesus histórico, que viveu consolando os aflitos e incomodando os opressores e, por isso, foi condenado à pena de morte pelos podres poderes da política, da economia e da religião. Quem volatiliza Jesus Cristo desencarnando-o e espiritualizando sua práxis e seu ensinamento é falso profeta, falso pastor, falso sacerdote, não é verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, é anticristo (1 Jo 2,18), é opositor e mentiroso (1 Jo 4,3.6). O espírito da verdade gera vida e o espírito do erro gera morte. Mais uma vez, a 1ª Carta de João demonstra sintonia com o quarto Evangelho ao afirmar que a verdade liberta (Jo 8,32) e a mentira mata.
Eis um critério para discernir entre o que é verdade ou erro/mentira: Todo tipo de religião, pensamento, sistema político e econômico, ou proposta, que não esteja em sintonia com a prática e o ensinamento de Jesus não vem de Deus. Logo, se não gerar vida e respeito para todos/as não está em conformidade com o Evangelho de Jesus Cristo.
Para dizer em uma linguagem da atualidade latinoamericana, praticar a justiça querida e defendida pelas Comunidades do Discípulo Amado implica ser justo e ser ativista na construção da sociedade do Bem Viver e Conviver. Mas o que é Bem Viver e Conviver? Segundo Alberto Acosta: “O conceito de Bem Viver parte do princípio de que  o fundamento para a vida sustentável e equilibrada como meio necessário para garantir dignidade  e sobrevivência à espécie humana e do planeta são as relações de produção autônomas, renováveis e autossuficientes. O Bem viver também se expressa na articulação política da vida, no fortalecimento de relações comunitárias e solidárias, assembleias circulares, espaços comuns de sociabilização, parques, jardins e hortas urbanas, cooperativas de produção e consumo consciente, comércio justo, trabalho colaborativo e nas diversas formas do viver coletivo, com diversidade e respeito ao próximo” (ACOSTA, 2016, p. 15-16). Importante ressaltar que “respeito ao próximo”, atualmente, não inclui apenas as pessoas, mas também todos os seres vivos da biodiversidade. Nós, seres humanos, somos os animais que mais dependem dos outros seres vivos. Sem justiça ambiental não pode haver justiça de nenhum tipo: nem social, nem agrária, nem urbana e nem religiosa.
A justiça querida pelo Deus das Comunidades do Discípulo Amado não cai pronta do céu, nem se constrói de cima pra baixo e nem de fora pra dentro, mas se constrói quando os explorados se reconhecem como explorados e, irmanados, em comunhão, lutam coletivamente para construir caminhos de libertação, conforme nos diz tão bem Thiago de Mello: “As colunas da injustiça sei que só vão desabar quando o meu povo, sabendo que existe, souber achar dentro da vida o caminho que leva à libertação”.
A justiça querida pela 1ª Carta de João passa pela superação da ‘injustiça agrária’, que é uma avalanche colossal de conflitos e violências agrárias que se abatem sobre o campesinato brasileiro, imposta pelo sistema do capital e pelo agronegócio, que usa e abusa da propriedade capitalista da terra, reproduzindo de forma crescente a concentração fundiária no país e a consequente expropriação da terra dos camponeses e camponesas; indígenas e quilombolas; seguindo-se a expulsão deles e delas para as periferias das cidades e, às vezes, o seu aniquilamento.
A ideia do ‘Deus justo’ deve nos comprometer com a emancipação humana, o que passa pela construção de uma sociabilidade que supere as relações sociais do capital, em que todos os seres humanos e os seres vivos da biodiversidade sejam respeitados e ninguém seja explorado e injustiçado. É impossível ser autêntico/a seguidor/a de Jesus Cristo e ser cúmplice do capitalismo, que é uma máquina satânica e diabólica de moer vidas. O mundo capitalista odeia as pessoas verdadeiramente cristãs e as persegue.
Para as pessoas exploradas conquistarem a justiça querida pelo Deus que é justiça, é preciso resistir para existir. Importa deixar claro que resistir não é violência, é legítima defesa. Diante de qualquer tirania e de um Estado violentador, vassalo do sistema capitalista, que sempre tritura vidas e pratica injustiças, é dever das pessoas resistir diante das opressões perpetradas contra os empobrecidos, os preferidos de Jesus e do Deus da Vida. Em uma sociedade desigual, com tanta violência institucional e empresarial, com tanta alienação religiosa, fazer desobediência civil, econômica, política e religiosa é um caminho a ser seguido por nós, discípulos e discípulas de Jesus, o rebelde de Nazaré. Enfim, essa é uma leitura que fazemos hoje da 1ª Carta de João: mensagem libertadora diante de tantos espiritualismos e desencarnações da fé cristã, atualmente.

Referências Bibliográficas
ACOSTA, Alberto. O Bem Viver. - Uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Ed. Elefante, 2016.
CLAUCK, H. Opositores de dentro. - Tratamento dos separatistas na primeira epístola de João. In: Concilium, n° 6, p. 758-767. Petrópolis: Vozes, 1988.

Belo Horizonte, MG, 17/9/2019.

Obs.: Quem quiser adquirir o Livrinho Texto-base do mês da Bíblia, do CEBI-MG, de 2019 – A Comunhão entre Deus e Nós e como subtítulo Uma leitura da Primeira Carta de João feita pelo CEBI-MG – entrar em contato com CEBI-MG: Secretaria Estadual CEBI-MG
Rua da Bahia, 1148 – Edifício Maleta, Sala 1215 – Centro – Belo Horizonte/MG
CEP: 60.160-011 – Telefone: (31) 3222 1805 – E-mail: 
secretariado@cebimg.org.br 




[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Ciências Bíblicas; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH, em Belo Horizonte, MG.  E-mail: gilvanderlm@gmail.com– www.gilvander.org.br  - www.freigilvander.blogspot.com.br      –      www.twitter.com/gilvanderluis        –     Facebook: Gilvander Moreira III


domingo, 15 de setembro de 2019

VALE sacrifica São Gonçalo do Bação, em Itabirito, MG Injustiça socioamb...



VALE sacrifica São Gonçalo do Bação, em Itabirito, MG Injustiça socioambiental! Vídeo 1 - 09/9/2019.

A mineradora VALE está fazendo mais uma grande obra de devastação ambiental no município de Itabirito, MG, no distrito de São Gonçalo do Bação. A A VALE alega que é para conter parte da lama tóxica das barragens de Forquilha I, II e III, da Mina da Fábrica, em Ouro Preto, caso essas barragens rompam. Isso para evitar o soterramento da maior parte da cidade de Itabirito. Entretanto há vários indícios que levam a crer que a VALE está expandindo a mineração na região. Tanto é que contra a vontade do povo de São Gonçalo do Bação, a VALE está construindo mais um Terminal Ferroviário de carregamento de minério e construindo também duas estradas duplicadas, uma que liga São Gonçalo do Bação a Engenheiro Correa e outra que conecta com a BR 040. A devastação ambiental está sendo imensa! Um verdadeiro crime socioambiental. Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI, visitou a obra e a região. Na ocasião gravou entrevista, em vídeo, com Patrícia Estrela de Oliveira Vasconcelos, Promotora de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais. Veja aqui o vídeo 1 da reportagem em vídeo. Filmagem e edição amadora de frei Gilvander Moreira, São Gonçalo do Bação, Itabirito, MG, 09 de setembro de 2019.


Patrícia Estrela de Oliveira Vasconcelos, Promotora de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, denunciando devastação ambiental na região de São Gonçalo do Bação, no município de Itabirito, MG, dia 09/9/2019. Foto: frei Gilvander

*Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.

Ambiente de vida, paz e alegria/II Festival Pedra Branca de Violas e Son...



Ambiente de vida, paz e alegria no II Festival Pedra Branca de Violas e Sonhos, MG. Vídeo 3 - 07/9/2019.

A segunda edição do Festival Pedra Branca de Violas e Sonhos aconteceu sábado, dia 07 de setembro de 2019, na Capela de Santa Bárbara, na zona rural de Caldas, no sul de Minas Gerais, e no domingo, com oficinas variadas no Sítio Rosa dos Ventos.
Uma maravilha de beleza! Das 10 horas às 23 horas se revezaram no palco dezenas de violeiros e violeiras, entre os/as quais: Orquestra Jovem de Violões da Casa de Cultura de Caldas, João Carlos e Carlos Leite, Fernando Guimarães e André Luís, André Lucas e Gabriel, Nádia Campos e Guilherme Melo, Felipe Bedetti, Alex Freitas e Léo Fonseca, João Arruda e Tião Mineiro, Katya Teixeira, Marina Ebbencke e Gabriel Souza, Consuelo de Paula, Levi Ramiro, David Tygel (Boca Livre) e Flávia Ventura.
Ao longo do dia de sábado, entre turistas e moradores, passaram pelo evento cerca de 600 pessoas. O festival teve início às 10 da manhã com a participação especial da nossa Folia de Reis Estrela do Oriente e da Orquestra Jovem de Violões da Casa da Cultura de Caldas. Ao meio do dia foi servido um saboroso e nutritivo almoço comunitário preparado de forma amorosa por voluntários e voluntárias, a partir de doações de empresas e de produtores da agricultura familiar locais.
Os tradicionais fornos de barro caldenses ficaram acesos durante todo o dia perfumando o ambiente com os aromas da comida popular mineira oferecida pelas barracas de expositores locais. As barracas também foram espaço de divulgação e apreciação do consagrado artesanato caldense. Para as crianças não faltou diversão: teve muito contato com a natureza, contação de histórias e olhar curioso e admirado para o céu estrelado da Serra da Pedra Branca através de um telescópio gentilmente cedido pelo professor Cassius Melo, da UNIFAL. A última atração musical, David Tygel, integrante do grupo Boca Livre, encerrou um dia de intensa alegria e comemoração.
Para fechar com chave de ouro, no domingo o povo se divertiu aprendendo sobre a viola nos ritmos caipiras com Levi Ramiro, sobre o poder das plantas medicinais com os indígenas Kiriri e ainda conhecendo os jardins sustentáveis, com Michelle Veloso.
O sucesso da segunda edição do Festival reforçou nossos princípios e fortaleceu nossas convicções: é possível construir coisas lindas em comunidade. A organização do festejo foi gestada sem nenhuma finalidade lucrativa e entre os/as voluntários/as predominava um sentimento exclusivo: tecer um evento que fosse capaz de adiar o fim do mundo.
Como ressaltou o músico João Arruda em uma de suas falas, “nós adiamos o fim do mundo quando rezamos, cantamos e nos alegramos”. Sendo assim, missão cumprida! Foi um final de semana de declaração de amor pela Mãe Terra, de celebração da vida e do afeto em todas as suas manifestações, de comunhão e de revigoramento da fé e da esperança de que outro mundo é possível.
A Aliança em prol da APA da Pedra Branca agradece profundamente a todos e todas que contribuíram para que o Festival se tornasse realidade mais uma vez. Inspirados pela poesia de Consuelo de Paula, seguimos juntos e juntas, sonhando, dançando poemas, atirando com canhões feitos de flores e buscando “desenhar o coração, a montanha e a nação”.

Roda de violeiros e violeiras - oficina - no II Festival Pedra Branca de Violas e Sonhos, em Caldas, MG, dia 08/9/2019. Foto: A. Baeta.

Filmagem e edição amadora de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Pedra Branca, zona rural de Caldas, MG, 07 de setembro de 2019.
*Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Nádia Campos e Fernando Guimarães - II Festival Pedra Branca de Violas e...



Nádia Campos e Fernando Guimarães - II Festival Pedra Branca de Violas e Sonhos, Caldas/MG. Vídeo 2 - 07/9/2019.

A segunda edição do Festival Pedra Branca de Violas e Sonhos aconteceu sábado, dia 07 de setembro de 2019, na Capela de Santa Bárbara, na zona rural de Caldas, no sul de Minas Gerais, e no domingo, com oficinas variadas no Sítio Rosa dos Ventos.
Uma maravilha de beleza! Das 10 horas às 23 horas se revezaram no palco dezenas de violeiros e violeiras, entre os/as quais: Orquestra Jovem de Violões da Casa de Cultura de Caldas, João Carlos e Carlos Leite, Fernando Guimarães e André Luís, André Lucas e Gabriel, Nádia Campos e Guilherme Melo, Felipe Bedetti, Alex Freitas e Léo Fonseca, João Arruda e Tião Mineiro, Katya Teixeira, Marina Ebbencke e Gabriel Souza, Consuelo de Paula, Levi Ramiro, David Tygel (Boca Livre) e Flávia Ventura.
Ao longo do dia de sábado, entre turistas e moradores, passaram pelo evento cerca de 600 pessoas. O festival teve início às 10 da manhã com a participação especial da nossa Folia de Reis Estrela do Oriente e da Orquestra Jovem de Violões da Casa da Cultura de Caldas. Ao meio do dia foi servido um saboroso e nutritivo almoço comunitário preparado de forma amorosa por voluntários e voluntárias, a partir de doações de empresas e de produtores da agricultura familiar locais.
Os tradicionais fornos de barro caldenses ficaram acesos durante todo o dia perfumando o ambiente com os aromas da comida popular mineira oferecida pelas barracas de expositores locais. As barracas também foram espaço de divulgação e apreciação do consagrado artesanato caldense. Para as crianças não faltou diversão: teve muito contato com a natureza, contação de histórias e olhar curioso e admirado para o céu estrelado da Serra da Pedra Branca através de um telescópio gentilmente cedido pelo professor Cassius Melo, da UNIFAL. A última atração musical, David Tygel, integrante do grupo Boca Livre, encerrou um dia de intensa alegria e comemoração.
Para fechar com chave de ouro, no domingo o povo se divertiu aprendendo sobre a viola nos ritmos caipiras com Levi Ramiro, sobre o poder das plantas medicinais com os indígenas Kiriri e ainda conhecendo os jardins sustentáveis, com Michelle Veloso.
O sucesso da segunda edição do Festival reforçou nossos princípios e fortaleceu nossas convicções: é possível construir coisas lindas em comunidade. A organização do festejo foi gestada sem nenhuma finalidade lucrativa e entre os/as voluntários/as predominava um sentimento exclusivo: tecer um evento que fosse capaz de adiar o fim do mundo.
Como ressaltou o músico João Arruda em uma de suas falas, “nós adiamos o fim do mundo quando rezamos, cantamos e nos alegramos”. Sendo assim, missão cumprida! Foi um final de semana de declaração de amor pela Mãe Terra, de celebração da vida e do afeto em todas as suas manifestações, de comunhão e de revigoramento da fé e da esperança de que outro mundo é possível.
A Aliança em prol da APA da Pedra Branca agradece profundamente a todos e todas que contribuíram para que o Festival se tornasse realidade mais uma vez. Inspirados pela poesia de Consuelo de Paula, seguimos juntos e juntas, sonhando, dançando poemas, atirando com canhões feitos de flores e buscando “desenhar o coração, a montanha e a nação”.

Região da Pedra Branca, no município de Caldas, no sul de MG: um santuário ecológico irradiando vida e clamando para ser preservado. Foto: A. Baeta
Filmagem e edição amadora de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Pedra Branca, zona rural de Caldas, MG, 07 de setembro de 2019.
*Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.


quinta-feira, 12 de setembro de 2019

II Festival Pedra Branca de Violas e Sonhos, na Capela Santa Bárbara, Ca...



II Festival Pedra Branca de Violas e Sonhos, na Capela Santa Bárbara, em Caldas, MG. Vídeo 1 - 07/9/2019.

A segunda edição do Festival Pedra Branca de Violas e Sonhos aconteceu sábado, dia 07 de setembro de 2019, na Capela de Santa Bárbara, na zona rural de Caldas, no sul de Minas Gerais, e no domingo, com oficinas variadas no Sítio Rosa dos Ventos.
Uma maravilha de beleza! Das 10 horas às 23 horas se revezaram no palco dezenas de violeiros e violeiras, entre os/as quais: Orquestra Jovem de Violões da Casa de Cultura de Caldas, João Carlos e Carlos Leite, Fernando Guimarães e André Luís, André Lucas e Gabriel, Nádia Campos e Guilherme Melo, Felipe Bedetti, Alex Freitas e Léo Fonseca, João Arruda e Tião Mineiro, Katya Teixeira, Marina Ebbencke e Gabriel Souza, Consuelo de Paula, Levi Ramiro, David Tygel (Boca Livre) e Flávia Ventura.
Ao longo do dia de sábado, entre turistas e moradores, passaram pelo evento cerca de 600 pessoas. O festival teve início às 10 da manhã com a participação especial da nossa Folia de Reis Estrela do Oriente e da Orquestra Jovem de Violões da Casa da Cultura de Caldas. Ao meio do dia foi servido um saboroso e nutritivo almoço comunitário preparado de forma amorosa por voluntários e voluntárias, a partir de doações de empresas e de produtores da agricultura familiar locais.
Os tradicionais fornos de barro caldenses ficaram acesos durante todo o dia perfumando o ambiente com os aromas da comida popular mineira oferecida pelas barracas de expositores locais. As barracas também foram espaço de divulgação e apreciação do consagrado artesanato caldense. Para as crianças não faltou diversão: teve muito contato com a natureza, contação de histórias e olhar curioso e admirado para o céu estrelado da Serra da Pedra Branca através de um telescópio gentilmente cedido pelo professor Cassius Melo, da UNIFAL. A última atração musical, David Tygel, integrante do grupo Boca Livre, encerrou um dia de intensa alegria e comemoração.
Para fechar com chave de ouro, no domingo o povo se divertiu aprendendo sobre a viola nos ritmos caipiras com Levi Ramiro, sobre o poder das plantas medicinais com os indígenas Kiriri e ainda conhecendo os jardins sustentáveis, com Michelle Veloso.
O sucesso da segunda edição do Festival reforçou nossos princípios e fortaleceu nossas convicções: é possível construir coisas lindas em comunidade. A organização do festejo foi gestada sem nenhuma finalidade lucrativa e entre os/as voluntários/as predominava um sentimento exclusivo: tecer um evento que fosse capaz de adiar o fim do mundo.
Como ressaltou o músico João Arruda em uma de suas falas, “nós adiamos o fim do mundo quando rezamos, cantamos e nos alegramos”. Sendo assim, missão cumprida! Foi um final de semana de declaração de amor pela Mãe Terra, de celebração da vida e do afeto em todas as suas manifestações, de comunhão e de revigoramento da fé e da esperança de que outro mundo é possível.
A Aliança em prol da APA da Pedra Branca agradece profundamente a todos e todas que contribuíram para que o Festival se tornasse realidade mais uma vez. Inspirados pela poesia de Consuelo de Paula, seguimos juntos e juntas, sonhando, dançando poemas, atirando com canhões feitos de flores e buscando “desenhar o coração, a montanha e a nação”.

Foto: A. Baeta


Filmagem e edição amadora de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Pedra Branca, zona rural de Caldas, MG, 07 de setembro de 2019.
*Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander, acione o sininho, receba as notificações de envio de vídeos e assista a diversos vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

ZEMA, FIEMG E SAM declaram guerra contra os Povos dos Gerais e do Semiárido Mineiro!


ZEMA, FIEMG E SAM declaram guerra contra os Povos dos Gerais e do Semiárido Mineiro!

Foto: Arquivo da CPT/MG

Nesta semana, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, durante a FENICS – Feira Nacional da Indústria Comércio e Serviços – no dia 12 de setembro de 2019, ocorrerá um seminário intitulado Seminário de Inovação China-Brasil. O evento é financiado pela mineradora Sul Americana de Metais - SAM, empresa de controle Chinês, que quer explorar o minério de ferro no município de Grão Mogol, no norte de MG e exportá-lo sem agregação de valor para a China. Exploração de matéria prima e mão de obra barata, deixando toda a destruição para a população que ali vive, mas também impactando severamente toda a região semiárida de Minas Gerais. Um verdadeiro projeto de MORTE! A mineradora vai utilizar 54 milhões de m³ de água por ano em uma região semiárida, isso equivale ao dobro do consumo de toda a cidade de Montes Claros-MG em um ano. Para levar a matéria prima bruta para a China, querem construir um mineroduto que leve o minério e também a nossa água até o porto de Ilhéus, na Bahia. Além disso, o projeto prevê a construção de duas barragens de rejeitos que somam 1,118 bilhões de m³ – a maior do Brasil! A barragem de Fundão, em Mariana, continha 54 milhões de m³ e matou 21 pessoas e todo o Rio Doce, chegando até o mar. A SAM tentou licenciar o projeto no IBAMA e teve dois indeferimentos, pois o projeto é altamente insustentável. Agora a mineradora SAM fragmentou o projeto e insiste em licenciar a mina através do Governo de Minas, pela SUPPRI/SEMAD, a mesma que deu parecer favorável para a mina do Córrego do Feijão operar, que causou o crime da Vale e do Estado, em Brumadinho, deixando quase 300 mortos e o rio Paraopeba morto e envenenado. A SAM tenta licenciar o mineroduto, que já teve licenciamento barrado, pelo IBAMA através da empresa Lotus, também controlada pela SAM. Caso o projeto seja aprovado, serão totalmente destruídas pelo menos 11 Comunidades Tradicionais Geraizeiras no município de Grão Mogol, mas os impactos serão sentidos ao longo de toda bacia do Rio Jequitinhonha e do Rio Pardo, caso consigam aprovar a operação da mina e do mineroduto.  Cidades e municípios da região já convivem com o racionamento de água nos períodos de seca. Vamos entregar a água, a nossa maior riqueza, nas mãos de quem só visa o lucro, a acumulação de capital e deixa só destruição?
O Planeta Terra, nossa Casa Comum, está sendo destruído colocando em risco toda a sociedade. A Floresta Amazônica está em chamas e sendo devastada pelo agronegócio e pelas mineradoras, em conluio com o Estado. O Rio Doce já está morto. O Rio Paraopeba agoniza também. Agora querem matar o nosso Rio Jequitinhonha. Os movimentos sociais, pastorais e sindicais na região e as comunidades geraizeiras de Grão Mogol resistem a este projeto de destruição, em defesa do seu território tradicional, do Cerrado, das nossas águas e das nossas vidas!
FIEMG, o governador ZEMA e deputados que apoiam essa insanidade são responsáveis por mais essa catástrofe anunciada!

Assinam esta carta aberta:
Comunidades do Território Tradicional Geraizeiro de Vale das Cancelas
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Conselho Pastoral de Pescadores e Pescadoras (CPP)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Cáritas Arquidiocesana de Montes Claros
Centro de Referência em Direitos Humanos - CRDH Norte
Frente Brasil Popular Norte de Minas
Movimento das Trabalhadoras e Trabalhores por Direitos - MTD
Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação - SindUTE
Levante Popular da Juventude de Montes Claros
Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais - Sindieletro
Sindicato dos Metalúrgicos de Montes Claros
Sindicato dos Tecelões de Montes Claros
Sindicato dos Servidores Municipais de Montes Claros
União da Juventude Socialista de Montes Claros - UJS
Sindicato dos Trabalhadores Rurais Assalariados e Agricultores Familiares de Montes Claros
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
Ong Ecos do Gorutuba
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha
Mandato Popular da Deputada Estadual Leninha
Mandato Popular da Deputada Estadual Beatriz Cerqueira
Articulação das CPTs do Cerrado
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O ‘oba-oba’ religioso é opressor: 1ª Carta de João.


O ‘oba-oba’ religioso é opressor: 1ª Carta de João.
Por frei Gilvander Moreira[1]

No Brasil atual, sem interpretação sensata e libertadora dos textos bíblicos, afundamos cada vez mais em fundamentalismos, em moralismos e em esquizofrenia religiosa. O caminho para resgatarmos a construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e sustentável ecologicamente passa também pela leitura e interpretação da Bíblia a partir dos injustiçados. Setembro é também mês da Bíblia, porque dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo, o tradutor da Bíblia da língua hebraica, aramaica e grega para o latim, que era a língua do povo durante o império romano. Jerônimo colocou a Bíblia na língua do povo, porque pensava que os textos bíblicos precisavam ser democratizados, não podiam ser privatizados pelo clero. Em 2019, somos convidados a ler e refletir a partir da 1ª Carta de João. Vamos chamar a atenção para alguns dos muitos raios de luz e de força divina que irradiam a partir da 1ª Carta de João.
Quem comete pecado pertence ao diabo. (...) O Filho de Deus se manifestou para destruir as obras do diabo” (1 Jo 3,8), afirma a 1ª Carta de João. Em um contexto povoado por religiões imperiais, mistéricas e pagãs, com muitas correntes de pensamento que justificavam as violências e a desigualdade social, compreender que as pessoas pertenciam a Deus ou ao diabo poderia soar como visão dualista. Isso faz caricatura da complexidade da realidade social. Atualmente ainda é pior, pois o contexto é de avalanche de neopentecostalismo, dentro e fora da igreja católica, com teologia da prosperidade e redução da religião cristã a autoajuda. “Anjos e diabos voando por todo lado”, dizem os que interessam desviar o foco das reais causas das doenças, das injustiças e das violências que se abatem diariamente sobre o povo injustiçado. As igrejas neopentecostais, com grande inserção nos instrumentos midiáticos, usam e abusam do nome de Deus para surrupiar muito dinheiro do povo aflito no meio das injustiças sociais. Isso se faz via teologia da prosperidade, com missas e cultos de cura aparente, privatizando a fé e reduzindo Deus a um quebra-galho para resolver problemas pessoais que são frutos da superexploração promovida pelo capitalismo e pelos capitalistas.
No entanto, a 1ª Carta de João alerta para ninguém cometer pecado, ou seja, não agir de forma pecaminosa. A Carta enfatiza também que Jesus Ressuscitado, o Filho do Homem, destrói as obras do pecado. Diz ‘as obras’ e não o diabo em si. O diabo (satã, em hebraico e diabolos, em grego) não significa o poder do mal de forma abstrata como se existisse um deus que só maquina o mal, fazendo oposição ao Deus da Vida. Provavelmente a 1ª Carta de João quer alertar que o espírito que é soprado pelo sistema opressor da época levava muitas pessoas a agir agredindo os irmãos e as irmãs e ferindo a fraternidade. Etimologicamente a palavra ‘diabolos’ significa o contrário de ‘simbolos’. ‘Diabólico’ é tudo o que desune, desarticula e infernaliza as relações sociais e humanas. Por outro lado, ‘simbólico’ é tudo o que une, congrega e irmana para a prática de uma fraternidade real e concreta nas relações sociais. O simbólico e o diabólico não estão fora da realidade histórica, estão em nós, como integrantes da condição humana, mas estão principalmente nas estruturas e instituições opressoras da sociedade. Por exemplo, o Estado (poderes executivo, legislativo e judiciário), o poder midiático, o sistema do capital, o agronegócio e as mineradoras, ao reproduzirem as relações sociais que sustentam a desigualdade, estão sendo, na prática, satânicos e diabólicos. Por outro lado, os movimentos sociais populares e todas as forças vivas da sociedade, ao lutarem por direitos sociais e alimentarem a convivência comunitária, pautada em relações de igualdade, de equidade e de reciprocidade, estão sendo, na prática, simbólicos. Logo, não podemos ler a 1ª Carta de João espiritualizando os conflitos reais. Enfim, o autor da 1ª Carta de João exorta para a prática da justiça e de tudo o que alimenta uma fraternidade real. E alerta contra os perigos de práticas que corroem a fraternidade social. No artigo “Opositores de dentro – tratamento dos separatistas na Primeira Epístola de João”, Hans-Josef Clauck analisa que: “A descoberta da identidade e a segurança da identidade de um grupo ameaçado em sua existência vai fazer com que haja simultaneamente uma concentração numa comunicação interna altamente desenvolvida e um isolamento para fora[2] (CLAUCK, 1988, p. 766).
Quem nasce de Deus não comete pecado” (1 Jo 3,9), diz a 1ª Carta de João. Aqui, a 1ª Carta de João chama nossa atenção para a importância das nossas raízes e da nossa origem. Somos devedores dos nossos pais, avós e de todos os nossos ancestrais até chegar a Deus. A 4ª palavra do Decálogo, a Carta Magna do povo da Bíblia, diz: “Honre seu pai e sua mãe” (Ex 20,12). Deus é nosso Pai maior e primeiro. Logo, não podemos esquecer essa origem. Para as Comunidades do Discípulo Amado não há como ser morno ou neutro: ou se é filho/a de Deus ou, filho/a do diabo. O critério é a prática da justiça justa, verdadeira. De forma enfática, repetindo várias vezes, o autor de 1ª Carta de João alerta: “Toda pessoa que não pratica a justiça, isto é, que não ama o seu irmão, não é de Deus” (1 Jo 3,10). Entre praticar a justiça e amar, praticar a justiça vem em primeiro lugar. O autor da 1ª Carta de João associa umbilicalmente “amar o irmão/irmã” à prática da justiça. Com isso, a 1ª Carta de João afirma que amar o próximo não é questão só de querer bem ou de sentimento, mas implica prática da justiça, não qualquer justiça, mas a justiça que liberta os injustiçados, o que passa pela superação de todo e qualquer preconceito e discriminação. Enfim, romper com o pecado implica praticar o amor integral.
Na 1ª Carta de João há uma ênfase sobre praticar o amor (1 Jo 3,11-24). “Amar uns aos outros” (1 Jo 3,11.23) era a mensagem anunciada nas Comunidades do Discípulo Amado desde a sua origem. Mais uma vez repete-se que amar é questão de prática. A 1ª Carta de João recorda um paradigma bíblico: Caim matou seu irmão, porque suas obras eram más (1 Jo 3,12). O fratricida Caim “era do maligno” (1 Jo 3,12). A falta de compromisso com os pobres era algo muito grave que estava acontecendo ao redor das comunidades e também estava seduzindo membros das comunidades. Os omissos são considerados homicidas (1 Jo 3,15.17). Por isso, a ênfase na prática da justiça e do amor ao próximo. O autor da 1ª Carta de João é incansável em reafirmar a necessidade do amor mútuo: repete-se três vezes (1 Jo 2,7-11; 3,11-24; 4,7 - 5,3) e insiste na sua prática. Algo semelhante com o que se observa atualmente com o povo das igrejas cristãs no Brasil. Fala-se em demasia sobre Deus, canta-se muito nos cultos e celebrações religiosas, louva-se à exaustão, porém, na prática, por exemplo, ao votar, eleva-se ao poder político pessoas fascistas e reprodutoras do sistema de desigualdade social. Isso é o cúmulo do absurdo e da injustiça. O autor da 1ª Carta de João revela sua indignação diante da hipocrisia de muitas pessoas que se diziam filhas e filhos de Deus, seguidores de Jesus Cristo. A 1ª Carta de João repudia o ‘oba-oba’ religioso e os espiritualismos desencarnadores da fé cristã. Para as Comunidades do Discípulo Amado, a dimensão social da fé é coluna mestra do Evangelho de Jesus Cristo.
Não estranhem, irmãos – e irmãs -, se o mundo odeia vocês” (1 Jo 3,13), alerta a 1ª Carta de João. Com esta exortação, é óbvio que o autor da 1ª Carta de João consola a comunidade e não se refere ao mundo físico geográfico e nem a todas as pessoas do mundo. Refere-se a ‘mundo’ enquanto o sistema imperial e o tipo de organização social que se baseia em relações de privilégio, de desigualdade social, de meritocracia e hierarquização. Para esse tipo de mundo se manter de pé e se reproduzir, é preciso que a ideologia dominante, seja ela política, econômica, religiosa ou cultural, não seja questionada por quem acredita na construção de um mundo com organização social pautada na justiça, na ética, na equidade, no amor ao próximo e na dignidade da pessoa humana. As pessoas verdadeiramente cristãs incomodavam muito esse ‘mundo’ alimentador de desigualdade social. Por isso, eram odiadas. As comunidades do evangelista Mateus também experimentavam a incompreensão e a perseguição de seus membros. Por essa razão, o evangelista Mateus animava seus integrantes, alertando: “Felizes os que – no bom caminho - são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa nos céus. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês” (Mt 5,10-12).
Referência.
CLAUCK, H. Opositores de dentro. - Tratamento dos separatistas na primeira epístola de João. In: Concilium, n° 6, p. 758-767. Petrópolis: Vozes, 1988.
Belo Horizonte, MG, 10/9/2019.

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[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Ciências Bíblicas; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH, em Belo Horizonte, MG.  E-mail: gilvanderlm@gmail.com– www.gilvander.org.br  - www.freigilvander.blogspot.com.br      –      www.twitter.com/gilvanderluis        –     Facebook: Gilvander Moreira III

[2]CLAUCK, 1988, p. 766